Quarta-feira de finados ensolarada em São Paulo, quatro da tarde. A Pinacoteca do Estado ainda presenciava uma grande fila para entrada. Todos esperando pela oportunidade de ver a arte do homem que encantou Londres com seu imenso sol artificial instalado no Tate em 2003. Entrei no grande espaço da Pinacoteca, estava vazio, olhei para o teto e vi o chão. Um enorme espelho circular pendia bem em cima de nossas cabeças.

Já imaginou olhar para o alto e encontrar o chão?

O artista Dinamarquês erradicado em Berlin realmente surpreende pelo modo com que brinca com a realidade. Simples estruturas de ferro e espelhos constroem espaços infinitos encerrados em formas geométricas. Parece que é esse mesmo o objetivo de Eliasson, discutir a noção de “interior” e “exterior”, “cima” e “baixo”. E parece não se contentar com pouco, estende essa discussão ao extremo, construindo um triangulo de espelhos invertido na ponte de acesso ao pavilhão central da Pinacoteca. Com o teto de vidro, Eliasson consegue a façanha de eliminar as paredes do prédio, simplesmente refletindo o céu a sua volta, assim se tem a sensação de se estar fora da Pinacoteca, estando dentro.
Em obras menores, simples triângulos de espelhos postos à luz do Sol criam verdadeiros universos em seu interior onde seu reflexo se torna parte da criação, ou seja, para cada espectador, Eliasson proporciona uma obra diferente.

O infinito criado dentro da forma geométrica finita construída por Eliasson

A obra de Olafur Eliasson impressiona pela forma como quebra conceitos tão impregnados em nossa noção de mundo de uma forma incrivelmente simples, quase uma brincadeira, e nos leva à reflexão: talvez a realidade como conhecemos não precise ser exatamente dessa forma, tudo pode mudar se enxergarmos as coisas com outro ponto de vista.

The Weather Project, o imenso sol montado em 2003 em Londres no Tate

A Exposição, Olafur Eliasson, Seu corpo na obra, é a primeira visita do artista na América Latina e fica até dia 8 de janeiro de 2012 na Pinacoteca do Estado e até dia 29 de janeiro nos SESC Pompéia e Belenzinho integrando o 17º Festival Internacional de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil.

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