A Pessoa do ano pela Time. O prêmio fora criado em 1927 e destaca o perfil de um homem, mulher, casal, grupo, ideia, lugar ou máquina que "para o bem ou para o mal", mais influenciou eventos no ano.

Tarek al-Tayyib Muhammad ibn Bouazizi, mais conhecido por Mohamed Bouazizi, caminha com seu carrinho de frutas pelas ruas de Bem Aros, Tunísia. O jovem de 26 anos sabe que são tempos difíceis para se arranjar um emprego. Depois de perder o pai aos três anos de idade, desde os dez ajuda a família vendendo frutas e legumes depois do colégio. Mohamed Bouazizi sabe que os 75 dólares que fatura por mês são indispensáveis para ajudar sua mãe e irmã.
Ele vê autoridades tunisianas se aproximando, pedem dinheiro para deixá-lo continuar vendendo com seu carrinho, dizem que o que faz é ilegal, ele sabe que é mentira. Uma funcionária do governo bate em sua cara, cospe-lhe e joga fora suas frutas, Bouazizi sabe que não pode mais aturar aquilo. Ele escreve desculpas para sua mãe sem saber se ela o perdoará, ele compra duas garrafas de diluente e ateia fogo em si mesmo em frente à sede regional do governo. Mohamed Bouazizi morre dezoito dias depois em um hospital no dia 4 de janeiro de 2011. O que Mohamed Bouazizi não sabe é que seu enterro reuniu cinco mil pessoas e que seu ato foi responsável por uma onda de protestos que mudou o curso da História.

O protesto de Mohamed Bouazizi foi o estopim para o que vem se chamando de Primavera Árabe e teve início na Tunísia. Após a auto-imolação do jovem de 26 anos, milhares saíram as ruas para protestar contra o governo do presidente Zine el-Abdine Ben Ali. Depois de dez dias de protestos, o então presidente fugiu para Arábia Saudita. Ben Ali estava no poder há 24 anos.

Manifestante no Egito. Os protestos começaram no dia 25 de janeiro. Dezoito dias depois, o presidente Hosni Mubarak renuncia o cargo depois de 30 anos no poder. O governo passa a ser chefiado por militares mas a população não aceita membros do antigo regime. Novos confrontes seguem e eleições democráticas são marcadas.

Os sucessos dos protestos na Tunísia desencadearam manifestações em outros países do mundo árabe e da África do Norte, foram a vez do Egito, com a queda do presidente Hosni Mubara (no poder há 30 anos), e depois da Líbia, com a queda do ditador Muamar Kadafi há 42 anos à frente do país. Logo em seguida veio o Iêmen cujo presidente Ali Abdullah Saleh veio a público anunciar que não iria se reeleger em 2013 terminando um mandato de singelos 35 anos. O Sudão, o Iraque e a Jordânia também tiveram seus atuais presidentes estabelecendo que estes seriam seus respectivos últimos mandatos. A Tunísia e o Egito realizaram eleições já neste mesmo ano.

Na Grécia, cerca de 20 mil vão as ruas em protestos no dia 15 de junho contra os ajustes fiscais impostos pelo governo à merce dos credores nacionais. O país vem passando por uma profunda crise financeira.

As revoltas no mundo árabe ganharam o velho mundo e tiveram início no dia 15 de outubro. Organizadas pelas redes sociais, pessoas foram às ruas da Espanha em protestos contra o desemprego que chegou ao auge de 20,89%. Em Londres tivemos a emblemática figura de Julian Assange, fundador do polêmico site Wikileaks, que participou de uma das manifestações. Também houve protestos na Itália, resultando em 70 pessoas feridas em confrontos com a polícia.

Em Londres, manifestantes caminham até a Praça Paternoster, onde está localizada a Bolsa de Valores, usando máscaras do personagem de Alan Moore, V de Vingança imortalizada no traço do desenhista David Lloyd

O movimento Occupy, de caráter mundial foi responsável pelo Occupy Wall Street nos EUA que levou milhares de jovens a ocuparem a principal veia econômica norte-americana trazendo à tona críticas ao desemprego e a desigualdade social. Os protestos ainda se alastraram pelo Chile, com manifestações de estudantes e professores exigindo educação pública de qualidade e na Bolívia, contra a construção de uma Rodovia (financiada por nós, brasileiros!) que cortará territórios indígenas e o Parque Nacional Isiboro Sécure, uma reserva onde vivem 50 mil pessoas. O Brasil também seguiu o compasso dos indignados, com diversos protestos nas capitais nacionais e passeatas pela Av. Paulista em São Paulo.

Mark Zuckerberg, criador do Facebook. Talvez ele não soubesse o que estava fazendo, mas nós sabemos o resultado...

Não é a toa que Mark Zuckerberg fora eleito o homem do ano de 2010. O dono do Facebook talvez não tivesse exata consciência do que estava fazendo quando criou a maior rede social do mundo, mas hoje sabemos que, sem sua criação, talvez não fosse possível ouvir as diversas vozes que percorreram o globo. Com ferramentas de interação com outros sites e principalmente com blogs, as redes sociais fizeram a ponte que faltava entre os indignados. Isso fez com que fosse possível que o grito de desespero do jovem de 26 anos na Tunísia fosse ouvido pelos índios Bolivianos e motivassem os ingleses a saírem às ruas.
Desde sua criação por Tim Berners-Lee no começo dos anos 90, o WWW, a internet, deixou de ser apenas um sistema de tráfego de dados e vem se tornando, a cada dia, uma consciência global, uma rede de sentimentos, de opiniões, livre de partidos políticos, sem bandeiras sobre nossas anônimas cabeças. Um espaço onde todos podem ser, ao mesmo tempo, leitor e autor da informação, receptor e emissor, sem ser preciso esperar que a mídia tradicional vomite o que chamam de verdade.

A Imagenária encerra o ano homenageando essa personalidade anônima que mudou e vem mudando os moldes do jornalismo, que busca nas ferramentas virtuais um espaço de voz e revolta ao que vê. Que em meio a toneladas de informações que consome diariamente, reserva espaço para se emocionar com o ato de um, que seja de apenas uma pessoa, e se sente no dever de partilhar para o resto do mundo. Parabéns a você que faz da internet uma rede não de computadores, mas de seres humanos.

Fontes: Jornal do Brasil
             Jornal Estadão
Wikipédia

Excelente post para saber mais sobre Internet: Sharemaniacs

 

 

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