O instante que se eterniza sob a visão do artista no lapso de tempo entre o que se vê e o acionar do obturador. A fotografia, do grego, escrever com a luz, é entendida como a expressão visual que melhor consegue se aproximar à realidade capturada pelo olho humano. Bastando apenas um disparo, o fotógrafo apreende a realidade de tal forma que um artista plástico levaria dias, ou até mesmo semanas para conseguir.  Mas peça para cem fotógrafos diferentes tirarem uma foto cada, de uma mesma situação, e terá cem fotos diferentes, produzidas com técnicas diferentes e alcançando resultados diferentes. No dia do fotógrafo, 8 de janeiro, a Imagenária faz um passeio pelas obras de Robert Capa, passando por Ike Levy até Christophe Gilbert.

“Se suas fotografias não estão boas o bastante, você não está perto o bastante”
(Robert Capa)

A fotografia jornalística de Robert Capa, a emoção capturada em tempos difíceis.

Robert Capa é o pseudônimo do Húngaro Endre Ernő Friedmann. Nascido em Budapeste em 1913. Na época do colégio, familiarizou-se com ideais Marxistas e, fichado pela polícia, exilou-se em Berlim em 1930. Na capital alemã, ingressa na faculdade de Ciências Políticas e inicia sua carreira jornalística trabalhando no “Dephot” (Deutscher Photodienst), maior agência de jornalismo da Alemanha. Em 1931, Friedmann tem a chance de fotografar Leon Trótski durante um congresso em Copenhague iniciando sua carreira como fotógrafo. De natureza judia, vê-se obrigado a deixar o país com o surgimento do nazismo e muda-se para Viena e, depois, Paris. Em 1934, envolve-se com a fotógrafa Gerda Taro e, juntos, criam o personagem Robert Capa, um célebre fotógrafo estadunidense.

O lendário dia D nas lentes de Robert Capa. As tropas aliadas desembarcam na região da Normandia, norte da França

Em 1947, participou da fundação da agência Magnum, existente até hoje. Endre Friedmann, o Robert Capa, destacou-se por suas fotos jornalísticas de guerras. Cobriu a Guerra Civil Espanhola, o conflito Sino-Japonês, e o famoso dia D na Segunda Guerra Mundial quando as tropas aliadas desembarcam nas praias da Normandia, norte da França. Morreu em 1954, na Guerra da Indochina ao pisar em uma mina terrestre. Seu corpo fora encontrado dilacerado, com a máquina fotográfica em mãos. A obra de Robert Capa impressiona pela emoção quase que roubada em meio aos horrores dos conflitos. Um verdadeiro manifesto contra a Guerra.

"A Morte do Soltado Legalista". Sua foto mais famosa. Capa ficou mundialmente conhecido por capturar o momento exato em que um soldado é alvejado. A cena é dramática e nos mostra um momento singular na história da fotografia jornalística.

Talvez a discussão mais polêmica entre o ramo da fotografia seja o dilema fotografia analógica versus digital. Há quem defenda que a fotografia digital não pode ser chamada de fotografia, uma vez que o processo básico da arte fotográfica (sensibilizar o filme com a luz e depois “imprimir” essa composição em um papel), não ocorra mais. Já fotógrafos como Pedro Meyer defendem essa tecnologia. Para o fotógrafo mexicano, a fotografia digital é a libertação da fotografia de qualquer compromisso realista. “O tempo da fotografia testemunhal já terminou”, afirma. “Com ela se desmorona uma convenção que até então não havia sido analisada com rigor e que ocultava o fato de que todas as fotografias são interpretativas. A fotografia digital é o fim do mito da verdade fotográfica”.

A fotografia de Pedro Meyer na mostra O Pincel da Câmera. Meyer defende que “o tempo da fotografia testemunhal já terminou”

Para os fãs de fotos analógicas, a máquina fotográfica Lomo garante uma volta a essa prática de uma forma bem nostálgica. Criada em 1982 na Rússia, um exemplar da câmara fora encontrada por um grupo de turistas vienenses em Praga que, após tirarem várias fotos, revelaram o filme despertando a curiosidade dos amigos, com cores fortes e matizes singulares.

A Lomo Kompakt Automat. A máquina Russa encontrada pelos turistas vienenses em viagem a Praga

O grupo, interessado em comercializar o achado, se dirigiu até St. Petersburg para assinarem o contrato de distribuição do aparelho iniciando a Lomography.
Com um custo relativamente baixo entre os equipamentos no mercado e uma grande variedade de lentes com diversos efeitos, seus adeptos conseguem capturar imagens que vão desde fotos antigas, que nos lembram de velhas impressões dos anos setenta, até as distorções da lente Olho de Peixe. A Lomography se caracteriza por um coletivo de amantes por fotografia e estilo de vida analógico. As máquinas Lomo são muito utilizadas por amadores, mas não só. O fotógrafo brasileiro Ike Levy consegue capturas impressionantes. Levy descobriu a fotografia na França, mas só começou sua carreira profissional em 1996, nos EUA, fotografando o mundo da moda, o automobilismo além da paisagem norte-americana.

Ike Levy fotografa a cantora Luciana Mello com uma Lomo. A máquina, muito usada por amadores, também atraiu o gosto de profissionais.

Talvez nenhum artista tenha alcançado o efeito de edição de imagem como Christophe Gilbert. Com a composição do cenário pensada desde a concepção, Gilbert impressiona com resultados surpreendentes, levando a pós-edição da fotografia a níveis extremos.

Christophe Gilbert. Criatividade e sensibilidade em imagens hiper-realistas, profundamente editadas.

O fotógrafo belga iniciou seus trabalhos como assistente de fotografia de um profissional especializado em carros. Hoje, trabalha como freelancer para empresas como Mercedes, Renault, Ikea, Levi’s, LG Electronics, Ogilvy, Playstation, Toyota e a Volkswagen. Seus trabalhos hiper-realistas brincam com formas e situações impossíveis e ricas em detalhes, sentimentos e um toque de humor. Não é a toa que Gilbert é conhecido como o rei do photoshop.

Não é a toa que Gilbert é considerado o Rei do Photoshop.

As imagens impossíveis de Gilbert.

Fontes: Revista Museu
Universo da Arte
Fotografia Analógica

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