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O Ano era 1966. A intervenção militar havia afastado João Goulart da Presidência da República em 64. Eleito pelo Congresso, o General Castello Branco assume a cadeira com a incumbência de convocar novas eleições e restabelecer a democracia. A contra-gosto de Castello Branco, que não era favorável à permanência de militares no poder, o General Costa e Silva se lança candidato.
Na manhã do dia 25 de julho, uma maleta sem dono fora deixada no saguão do aeroporto de Guararapes, Recife. O estranho objeto chamou a atenção de Sebastião Thomaz de Aquino, o “Paraíba”, guarda-civil a serviço naquele local. O artefato poderia não ter dono, mas tinha um alvo certo, o então candidato à presidência, General Costa e Silva. A explosão deixaria Sebastião de Aquino sem sua perna direita, além de dezenas de feridos. Costa e Silva, devido a problemas no avião que o deixaria em Recife, completa seu percurso por via terrestre, escapando do atentado a bomba.

Era o início da luta armada no Brasil.

Acordei naquele 31 de agosto de 2013 e tudo que rolava no bidimensional mundo de bytes das redes sociais era a inusitada confissão da Globo. Era realmente inusitado, assim, da porra do nada. Mas talvez fosse necessária àquela corporação.

Se os Marinhos estavam lavando seus nomes, reestruturando negócios ou resolveram dar entrada em algum terreno no céu, não me interessou muito. O que me deixou perplexo na verdade foi a enxurrada de matérias começando com o título “como interpretar…” a tal da confissão.
Deu pra notar que o conteúdo do levante de artigos ensinando o povo a ler tinha uma mensagem quase desesperadora: Não importa quem fale o quê, a Ditadura Militar só mergulhou o país em atraso e retrocesso e o pior, impediu os avanços de um governo popular encabeçado por João Goulart, o Jango, presidente à época.

É.. Assunto difícil. 

Mas o que me incomoda, na verdade, é quando este mundo bidimensional começa a dar sua forma ao mundo esférico em que vivemos.

É preciso que algumas fichas caiam para você, como caíram para mim. A primeira delas talvez seja entender que fecharmos este capítulo da nossa história, desta forma como aí está, é interessante para alguns grupos que hoje compõem (na verdade, quase praticamente dominam) o cenário político-cultural brasileiro. A outra segunda ficha importante, é que você não vai encontrar a totalidade dos fatos no seu livro de história do ginásio..

O século XX é chamado, por alguns historiadores, de o “Século Assassino”. Mais pessoas morreram no século XX do que em toda a história da humanidade como a conhecemos e essa mórbida contagem não ocorreu por acaso. A Europa era varrida por estados totalitários empenhados em dizimar grandes parcelas de sua própria população, não apenas judeus, mas eslavos, ciganos, ucranianos e todos aqueles que a “revolução” iniciada por Lenin e deturpada por Stalin rotulava como “povos atrasados” ou “lixo racial”.
A década de 1960 estava cravada no auge desses massacres. Marcada para o Brasil e para o restante da America Latina, por acirradas disputas tanto no campo ideológico, como nas ruas, muitas vezes de forma violenta. Era o período da Guerra Fria e ambos os blocos (o capitalismo do ocidente e o comunismo na Europa) corriam para angariar novos terrenos, corações e mentes.
Mesmo após a morte de Stalin, o leste europeu ainda era dominado por uma URSS totalizadora, e assassina.. A China seguia em seu encalço, liderada por Mao Tse-Tung, descrito no Livro Negro do Comunismo, como responsável por mais de 19,5 milhões de mortes, em sua esmagadora maioria, da maneira clássica praticada pelo stalinismo, um sumário tiro na cabeça daqueles que discordavam deste modelo de “novo mundo”.

Foram por estes países em que andaram nossos guerrilheiros naquela época. Fora da China que João Goulart, o Jango, regressara para assumir a Presidência da República em 1961, incumbido de trazer este modelo de “governo popular” para solos brasileiros.

Continua..

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